Vietnam por terra II - A volta de Hà Giang

Depois daquela louca viagem de ônibus de Hanoi a Hà Giang, começamos a explorar as nossas opções de passeio. Não nos restava muitos dias até que o nosso visto de 15 dias expirasse. Tivemos que traçar um plano e aproveitar a região ao máximo. Assim que sentamos no lounge do Kiki Hostel e começamos a conversar com outros viajantes descobrimos um passeio de moto ao redor desse famoso trecho da estrada, que faz uma volta  por uma das regiões mais intocadas de todo o país...


Planejamento

Organizamos o nosso roteiro em 30 minutos. Um viajante nos deu a dica de um app chamado Maps.Me, que permite carregar e visualizar mapas offline. Você carrega  os mapas quando está conectado à Internet e depois pode acessá-los offline, é velho conhecido da comunidade viajante e tem várias vantagens sob o tradicional app do Google Maps!

 Interface do Maps.Me detalhando a volta de Hà Giang pelas rodovias 4C e 34

Interface do Maps.Me detalhando a volta de Hà Giang pelas rodovias 4C e 34

A próprios hostéis em Hà Giang (pronuncia-se “Rá Zán”) alugam motoquinhas semi-automáticas e é lá que os motoqueiros deixam qualquer peso extra da viagem de moto para pegar na volta - já que temos que voltar para devolver a moto. Decidimos alugar uma motoquinha para cada um, afinal era a trip inicial do Mú como motoqueiro e a minha primeira guiando uma motoca em muitos anos.  

Hà Giang é a capital da província de mesmo nome. Casa da galera mais tradicional do país, é também a área menos turística por onde passamos em todo o Vietnam. Existem vários tours que passam por vilazinhas lindas, super simples, comunidades rurais isoladas, super ultra tradicional - daqueles lugarezinhos fofos que magnetizam, onde nós ocidentais ainda somos vistos de maneira muito doce, quase como verdadeiros aliens.

A viagem pode ser feita por terra à pé, de moto/carro, ou ônibus por boa parte dos lugares e paisagens mais incríveis da área. Existe a famosa "volta" ou “loop” que passa por inúmeros vilarejos entre cidades principais maiores e pitorescas comunidades rurais. Nós fizemos o trecho todo de moto e não vou dizer que as estradas são super seguras, muito pelo contrário. A sorte é que existem diversas maneiras bacanas de se aventurar pelo Norte vietnamita sem se arriscar muito.

 Fazendo um test-drive das motocas, abastecendo perto do hostel. Logo que saimos do posto de gasolina vimos o primeiro acidente da temporada; um carro passou por cima de uma moto...

Fazendo um test-drive das motocas, abastecendo perto do hostel. Logo que saimos do posto de gasolina vimos o primeiro acidente da temporada; um carro passou por cima de uma moto...

A nossa amiga australiana, quem nos indicou o passeio, foi pra lá com um agência de turismo que sai de Hanoi. Eles oferecem caminhadas guiada e trechos percorridos de carro, como comida e acomodação durante os quatro, cinco, ou seis dias de viagem, é só escolher e aproveitar.

Para nós, a satisfação de ter encontrado com essas populações ou a opção de nunca ter pisado lá, nos deixou bem confusos. Inevitavelmente algumas dessas comunidades já sofrem com a transição rural e subsistente para semi-urbana, onde pagar a conta de água e luz já tem obrigado muitos a arrumar empregos na cidade para sustentar esses luxos da vida urbana. Nosso estado reflexivo definitivamente ficou em frangalhos. Entre uma bexiga deixada com um grupo de crianças na estrada e umas poucas palavras ditas em inglês, a vontade era de que eles nunca tivessem que sofrer com a influência devastadora que levamos a todos os lugares por onde passamos... Ao mesmo tempo, paradoxalmente a vontade era de ter parado numa dessas vilazinhas, e ficado lá pra sempre!!!

 Crianças cortam cana à beira da estrada. Com menos de 5 anos elas já manejam facões maiores do que elas!

Crianças cortam cana à beira da estrada. Com menos de 5 anos elas já manejam facões maiores do que elas!

 Café vietnamita, o combustível oficial dos motoqueiros!

Café vietnamita, o combustível oficial dos motoqueiros!

Como estávamos um em cada moto, e eu normalmente cansava mais rápido que o Mú. A cada parada para um café, combinávamos quantas horas a mais estávamos dispostos a guiar. A maioria das paradas que escolhíamos fazer no caminho no entanto, aconteciam por puro acaso.

Dica: Se você decidir se aventurar por essas bandas de moto e estiver acompanhado(a), considere alugar duas motos. A viagem é maravilhosa, mas com trechos super íngremes e estreitos. De clima montanhoso e duvidoso (a chance de chover na montanha é sempre alta) facilita muito estar em duas motos, por “N" motivos.

 

Na estrada

A viagem a princípio assusta um pouco. O primeiro dia é um super aquecimento para o que está por vir... Você está se acostumando com a estrada, seus códigos e o ritmo particular de fluxos de veículos.

Como tem muita moto no Vietnam inteiro, o procedimento padrão dos carros e caminhões é buzinar na sua cabeça, colocando pressão e esperando limpar caminho para passarem... simples assim!

 Pronta pro que der e vier!

Pronta pro que der e vier!

As estradas são estreitas e quase sempre “alguém” tem que sair da pista para dar espaço aos "grandões", e normalmente esse alguém é você que está de moto! As saídas da pista para dar espaço a caminhões são perigosas por conta dos acostamentos esburacados, principalmente em trechos sem guarde-reio, que são maioria. Quase todos os acostamentos são de terra, e se tiver chovido eles podem estar bem lamacentos e escorregadios. Tenha certeza de que você também use e abuse da buzina. Rola um código morse entre os veículos indo e vindo que ajudam a dar idéia do que vem à frente.

Nós viajamos de bota/tênis impermeável e não nos arrependemos. Não tive frio ou molhei os pés. A galera que viajou de tênis reclamou do frio e viveu de pé molhado... Tem essa ainda, mesmo que não chova, a condensação é forte e em algum ponto tudo fica úmido, e a sensação térmica reduz muito...

 Neblina e umidade na estrada

Neblina e umidade na estrada


Hà Giang à Yen Minh

 Hà Giang vista por cima

Hà Giang vista por cima

Hà Giang é capital, e a maior cidade da província de mesmo nome. Os dois hostéis mais conhecidos são o Bong Backpackers e o Kiki's Hostel. É lá que você pode alugar as motos, largar tralha pra trás e se esconder da chuva enquanto se prepara para o loop. Os hostéis no Vietnam não te dão direto de usar a cozinha, e por isso normalmente oferecem comidinhas por ótimos preços, mas nada impede você de comer fora.

Quanto a acomodação, os quartos para casal podem ter preços melhores do que os compartilhados, sempre vale a pena checar os preços, já que viajar por muito tempo pode pedir um pouco de privacidade em algum momento, mesmo que você esteja viajando sozinho.

 Saída da cidade Hà Giang

Saída da cidade Hà Giang

No Kiki's Hostel rolou uma desorganização de recém-aberto enquanto estivemos lá. Os preços online eram muito mais baratos do que pagar no balcão e sempre existiram problemas relacionados aos táxis e os ônibus se você reservasse tickets com eles. Os pequenos businesses locais, principalmente ligados ao turismo, fizeram um tipo de “cartelzinho” e cobram o dobro de tudo pra gente (turistas). Foi meio sacal sair de Hanoi onde a gente pegava Uber moto táxi por 12.000 dong (US$ 0.60) para ir a qualquer lugar, chegar em Hà Giang e ser cobrado US$2.50 para percorrer poucos quarteirões, mas uma vez que você aluga a sua motoca, fica tudo tranquilo e você vai pra onde quiser sem gastar muito. O aluguel das motos saiu por US$7.00 por dia cada, e para encher o tanque sai em torno de US$2.50, que roda o dia inteiro… 😉

Achamos um link no Facebook que oferecia homestay (pernoite em casa tradicional) na cidade de Yen Minh, chamado Ha Anh. Quando chegamos lá, tinha mais uns 15 motoqueiros de todo o mundo! Cada um ganha um futon e uma coberta, e dormimos todos no chão, como uma grande família. Reencontramos um casal de viajantes que havíamos conhecido no hostel em Hà Giang e foi divertido revê-las. As meninas são casadas e faz 2 anos que viajam o mundo. No Vietnam elas compraram uma moto que custou por volta de US$ 300 e depois ao final da viagem, quando partirem para o Laos ou o Cambodia vendem a moto e conseguem até a metade do preço por ela. Acaba sendo bem econômico. É engraçado essa coisa de reencontrar algumas pessoas pelo caminho... Tivemos o prazer e a sorte de reencontrar só com a galera mais gente boa!

 

Yen Minh à Meo Vac

Um pouco à frente de Yen Minh, logo que saímos para seguir viagem paramos brevemente para explorar umas cavernas que apareciam em nosso mapa. Andamos mais de uma hora pela mata, mas não conseguimos achar a entrada, que ficamos sabendo depois estava fechada por conta de desabamentos.

 O perdido vale dos dinossauros... Em algum lugar aqui tem uma caverna...

O perdido vale dos dinossauros... Em algum lugar aqui tem uma caverna...

 Não chegamos na caverna mas encontramos algumas plantas muito interessantes!

Não chegamos na caverna mas encontramos algumas plantas muito interessantes!

A poucos quilómetros de Dong Van, outra parada cultural para conhecer a Casa do Rei Hmong (Hmong King´s Residency), que além de valer a pena, dá um descanso pro cóccix :-)

O trecho Yen Minh, passa por Dong Van e ficamos na dúvida se seguíamos de Dong Van a Meo Vac naquele mesmo dia, até que a “vibe de cidade grande” de Dong Van destoava tanto das vilazinhas onde queríamos passar mais tempo, que decidimos seguir para Meo Vac e passar mais tempo nos vilarejos entre cidades e ter certeza que estaríamos em Meo Vac para a feira de domingo, por isso seguimos viagem...

 Vales profundos e intermináveis

Vales profundos e intermináveis

 Pausa pra abastecer. Na falta de postos de combustível muitos locais vendem o precioso líquido na porta de suas casas.

Pausa pra abastecer. Na falta de postos de combustível muitos locais vendem o precioso líquido na porta de suas casas.

De Yen Minh a Dong Van e Dong Van a Meo Vac é onde sem dúvida você vai começar a encontrar os vilarejos rurais mais tradicionais de todo o país. É encantador viajar por essas bandas de paisagens fantásticas, quase indescritíveis, saídos um conto de fadas real.

Dong Van é a maior cidade entre vilas pela qual passamos. Tentamos sair de lá o mais rápido possível, mas não antes de um corte de cabelo tipicamente vietnamita. 

 Ela limpa, ele confere se o corte ficou igual ao da foto. Quando ninguém fala inglês, o telefone ajuda muito mas quem salvou mesmo foi o vizinho de 8 anos, que apareceu na hora certa! O único que entendia as duas línguas e ajudou na tradução :-)

Ela limpa, ele confere se o corte ficou igual ao da foto. Quando ninguém fala inglês, o telefone ajuda muito mas quem salvou mesmo foi o vizinho de 8 anos, que apareceu na hora certa! O único que entendia as duas línguas e ajudou na tradução :-)

A parte Norte da volta é uma sucessão de profundos vales rodeados por altas montanhas que foram ao longo de décadas cuidadosamente esculpidas pelos camponeses, criando diversos degraus que vão do pé ao topo das montanhas e servem de base para plantações de arroz e demais vegetais. O trabalho envolvido e a precisão dos degraus impressionam tanto, que alguns viajantes fazem este trecho da viagem inúmeras vezes.

Provavelmente o trecho mais famoso e fotografado da estrada fica entre Dong Van e Meo Vac, o passo de Ma Pi Leng que fica a 1500m de altura e dá uma vista privilegiada da estrada que segue montanha abaixo, ziguezagueando num desenho curvilíneo infinito aos olhos.

 As motos são peça fundamental no transporte de todo tipo de carga no interior do Vietnam

As motos são peça fundamental no transporte de todo tipo de carga no interior do Vietnam

Ma Pi Leng, é definitivamente o nome do trecho do loop que mais sai da boca dos viajantes que se trombam em Hà Giang. São muitos nomes de vilas e passes pra lembrar de uma vez, mas assim que você aluga a moto, faz o download do MAPS.ME no seu celular, tudo começa a fazer mais sentido. O medinho da viagem começa a bater quando você separa poucas trocas de roupas (as de baixo) e capas de chuvas para encarar qualquer situação no "loop" tão falado pelos hostéis da cidade.

Como chegamos em Meo Vac ao final do dia, resolvemos tentar parar pela estrada e buscar abrigo na casa de uma família local. Tentamos nos convidar para entrar nas casas e pedir acomodação. Já estava ficando bem frio e escuro, e em uma das casas que entramos havia uma cama no canto e uma fogueira onde toda a família se aninhava com os dois meninos pequenos completamente despidos se esquentando na fogueira feita no “meio da sala”. Tentamos explicar por gestos e um vietnamita quebrado, que estava escuro e procurávamos um lugar pra passar a noite mas não fomos muito bem recebidos já que era bem tarde. Como já estávamos próximos a cidade, o assunto “grana” começou a surgir entre os moradores vizinhos, quando decidimos continuar de moto mais um pouco. O objetivo todo era experimentar de um ambiente não preparado para turistas, de maneira autêntica, mas dessa vez fracassamos...

Continuamos pela estrada e logo ouvimos de longe uma balada rolando. Paramos as motos e descemos para ver se encontrávamos ao menos algo para comer... Haha, assim que entramos fomos sentados na à mesa com a família toda e logo as rodadas de um poderoso “vinho” de arroz começaram a aparecer consistentemente em nossas mãos. O lugar era amplo, de chão batido, na casa dos fundos rolava uma super jogatina e umas mulheres "mais calientes" andavam por ali... O lugar era um misto de "casa da luz vermelha" aos fundos, "jantar em família" onde estávamos, e "bar de esquina" na frente... Mas devo dizer que nunca esse casal de penetras foi tão bem recebido. O vinho caseiro, feito de arroz, rolou solto a noite toda. Todos queriam tomar uma dose de rượu ngang conosco, maneira típica de fazer amigos no local... Éramos 10 adultos, logo surgiram mais 10, acompanhados de mais umas 20 crianças. Rimos e bebemos a noite toda. As crianças nos corrigiram na pronúncia de palavras em vietnamita e trocaram muito carinho e risadas conosco. Resolvemos ir embora quando achamos que o álcool estava começando a pesar nas nossas decisões. Foi inesquecível para dizer no mínimo. A liberdade de estar de moto por aí, e fazer tudo no nosso próprio tempo, trouxe muitas situações inusitadas no loop pelas vilas de Hà Giang.

 Álcool, miúdos variados e muita risada

Álcool, miúdos variados e muita risada

 A jarrinha laranja estava cheia de cachaça, assim como a cabeça da galera!

A jarrinha laranja estava cheia de cachaça, assim como a cabeça da galera!

 A festa foi enchendo cada vez mais....

A festa foi enchendo cada vez mais....

Depois da nossa super balada, seguimos meio bebuns a 10km/h pelo acostamento por mais uns 10 minutos até chegarmos ao centro de Meo Vac onde encontramos um hotelzinho pra passar a noite.
 

Meo Vac à Bac Me

Acordamos cedo depois de um dia dirigindo por umas das paisagens mais lindas da área e da experiência incrível que tínhamos tido na noite anterior. Quando o Mú resolveu sair pra pegar um café, voltou pirado pra me contar que o tradicional mercado de Domingo acontecia literalmente na nossa rua. A rua estava lotada, e a preocupação do Mú era se conseguiríamos sair com moto no meio daquela muvuca. A feira era colorida e tradicionalíssima, começamos a reconhecer algumas etnias mais populares pelo modo que se vestiam... Vendia-se carne de tudo quanto é tipo - inclusive de cachorro - e o que mais você imaginar: facão, rapadura, tabaco, frutas, sopas, e roupas e até porcos vivos ainda amarrados no bagageiro das motos passavam em meio a muvuca com bastante frequência! Muitas dessas famílias inteiras caminham por 2 horas ou mais horas para sair do alto de suas vilas nas montanhas e chegar ao centro da cidade em tempo para a feira. Caminho percorrido na volta, carregados com suas compras nas costas!

A feira de Meo Vac é um fuzuê de gente se empurrando, e o empurrão pode ser gentil ou não, dependendo da pressa do freguês! O mercado se espalha num raio de muitos metros, entre um galpão enorme e nas ruas  ao redor.

 Esqueça tudo o que você já conheceu em termos de açougue

Esqueça tudo o que você já conheceu em termos de açougue

Tentamos parar para comer depois de andarmos extasiados pelo mercadão que só tinha a gente de gringo, e num minuto um vietnamita com uma super câmera começou a nos fotografar, como se nós é que fossemos a atração do lugar! Olhares curiosos nos seguiam o tempo todo e da mesma maneira que estávamos curiosos quanto a eles, também éramos assediados e tiramos muitos retrato com eles! Se existe experiência mais rica do que um mercadão local desses em Hà Giang eu não sei...

A fumaça de dentro do balcão; as cores das roupas, as meninas moças procurando por novos adornos para suas saias típicas, o barulho uniforme da bagunça desgovernada de lá de entro, os empurrões dos apressados, as cabeças dos animais mortos em cima da mesa, os vendedores de cócoras em todos os lugares, as mulheres cortando cana com crianças nas cestas das costas de suas mães não saem da cabeça. É muito de tudo. É pura vida!

 Onde está Wally?

Onde está Wally?

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Família inteiras descem das montanhas com suas cestas nas costas para buscar o necessário até o próximo domingo. De um povo simples, que vive da  subsistência, de quem tem o que comer todo dia, mas não tem luxo. De um povo que tem pouco de tudo, e que faz esse pouco com as próprias mãos.

 

Bac Me à Hà Giang

A parte Sul do loop já voltando a Hà Giang, onde a viagem começa, é um enorme contraste à paisagem e estilo de vida que vimos anteriormente. O governo chinês tem negociado com o Vietnam e em troca de terras e outros favores, promove a construção de enormes barragens hidroelétricas que visam trazer o “progresso” ao Norte do Vietnam.

Não me lembro de ter me sentido tão triste em ver com meus próprios olhos a dominação chinesa tomando conta de uma região de qualquer outro país até então. As casas de madeira e telhado de folhas secas nesta região estão sendo substituídas por casas de alvenaria, triste transição. A água encanada e a eletricidade já estão próximas às grandes hidrelétricas chinesas, e influenciam negativamente não só na vida da flora e fauna local, mas na dos seres humanos que ali residem.

 As mulheres são a força do Vietnam. Por onde passamos elas estão a plantar, colher e transportar pesadas cargas nas costas

As mulheres são a força do Vietnam. Por onde passamos elas estão a plantar, colher e transportar pesadas cargas nas costas

Os banners imponentes e a propaganda feroz com caracteres chineses destoam em meio a paisagem em transição, deixando um gosto amargo na boca ao final da viagem. Estamos falando de famílias de costume milenar, dos Hmong e outras 17 minorias étnicas que a centenas de anos tem conservado sua cultura e meio de sobrevivência nesse remoto canto do Norte do Vietnam. Um trecho da viagem que não teríamos percorrido se não fosse por um erro de navegação, esses 30 quilômetros de estrada que ligam Bac Me de volta a Hà Giang é um pouco assustador...

Eu infelizmente me questiono se esses vilarejos ainda estarão lá em 10, 20 anos, caso as coisas continuarem a andar na velocidade que estão... Espero estar errada e dentro de poucas décadas ainda poder ver as diferentes etnias locais vestindo os seus chapéus coloridos, com aquele mesmo brilho no olhar, rindo incontrolavelmente toda vez que olham para nós…

Que experiência espetacular! Que nunca saia de nós. Que toda a simplicidade que vimos e experimentamos por lá também tenha surtido efeito em um pouco do que nos tornamos agora; quem sabe melhores uns com os outros, mais descomplicados no trato de problemas desimportantes, mais livres na nossas tomadas de decisão, mais disponíveis a aprender uns com uns outros; como uma unidade. Seres da mesma raça que vivem no mesmo planeta!

cảm ơn bạn rất nhiều Việt Nam!!
(muito obrigado Vietnam!)