Macau, a cidade fusion!

Um, dois ou mais dias? Macau oferece um mundo de opções! Dê uma olhada nas nossas dicas para um tour vapt vupt por essa curiosa cidade "chinesa"!!

Fomos a Macau sem grandes expectativas. Quando se procura o que fazer na cidade, além dos habituais museus, ruínas e uma torre gigante, o assunto sempre volta pra jogatina. Macau é famosamente conhecida como a "Las Vegas do Ocidente", por conta das dezenas de casinos gigantescos que residem na cidade.
 

Como Chegar

De Hong Kong é fácil chegar em Macau. Pegamos um Turbo Jet - um barcão do tamanho de uma balsa, e rápido como uma lancha - no cais de Shegun Wan, e em uma hora chegamos ao porto de Macau. Com sua própria aduanada, impostos, e moeda, a sensação é de que se está chegando em outro país.

Dica: Com o guia turístico gratuito que você pega na entrada do porto, fica fácil saber onde estão, e como chegar nas atrações da cidade através dos ônibus locais.

 Uma das várias loja de Bakkwa

Uma das várias loja de Bakkwa

Driblamos dezenas de vendedores tentando nos empurrar ofertas de city tour e outros pacotes turísticos, e pegamos o ônibus número 3, que em 15 minutos nos deixou no centro da cidade. A sensação é que descemos em Lisboa! Casarões em estilo colonial, azulejos portugueses, ruas estreitas de paralelepípedo, placas e direções em português, mas com chinês escrito embaixo! Várias lojas vendiam pasteizinhos de Belém e Bakkwa, uma carne seca adocicada, originária da província de Fujian, e muito popular em Macau. A mistura de influências é muito interessante. 

Conhecemos dois gaúchos no desembarque, o Airton e o Eduardo, muito boa gente, que se juntaram a nós durante metade do dia até nos separarmos, eles em direção a roleta, nós em busca de mais "curiosidades" locais. Nossos objetivos do dia eram conhecer as ruínas de São Pedro, o Venetia (o maior casino do mundo), e tentar encontrar um chinês que falasse português, o que ouvimos dizer ser mais difícil do que encontrar "um unicórnio no final do arco-íris"!
 

Ruínas de São Paulo (Ruins of St. Paul)

Do porto ao centro de Macau, onde o ônibus nos deixou, à poucos minutos de caminhada por entre casarões portugueses, chegamos às Ruínas de São Paulo; uma das atrações mais famosas de Macau. As ruínas são do século XVII, e incluem a igreja de São Paulo e o que era originalmente o Colégio São Paulo.


Fortaleza do Monte (Mont Fort)

Ao lado das ruínas está a Fortaleza do Monte, o centro histórico militar de Macau, construído entre 1617 e 1626. O parque no topo da Fortaleza oferece uma super vista da cidade, além de também hospedar o Museu de Macau.


Unicórnios e portugueses

O site oficial de Macau lista o cantonês e o português como as línguas oficiais da região. Todos os documentos do governo estão nas duas línguas, assim como todas as placas e informações da cidade! Infelizmente porém, muito pouca gente fala português. São menos de 5% da população, o que fez nossa caçada ainda mais emocionante.

Em nossa missão em busca de um “chinês português”, nós paramos dezenas de pessoas na rua e tentamos falar português, mas a resposta era sempre um riso e aquela cara de quem não entendeu nada! Até em restaurantes tradicionais, e em uma oficina mecânica que tinha o nome nas duas línguas, numa típica rua portuguesa, nada!!! Depois de muita andança, por acaso, encontramos uma portuguesa na rua enquanto tentávamos pedir informações em português pelas ruas. Ela não tinha nada de chinesa, e confirmou nossas suspeitas, ia ser foda achar um "Manoel Lee"!
 

Museu de Macao

Desanimados da busca, demos uma entrada no Museu de Macau, que fica no alto da colina da Fortaleza do Monte. Valeu demais a visita! Ali pode-se ter uma idéia da enorme influência portuguesa em Macau, das brincadeiras infantis - como o nosso famoso cabra-cega, as comidas típicas e a arquitetura. Uma grande curiosidade foi descobrir sobre as populares brigas de grilo! Isso mesmo! Existiam até “olheiros” especializados em identificar as dezenas de características que fariam um determinado grilo um bom ou mau lutador. Os grandes lutadores eram enterrados com honras de Estado, em pequenos caixões de madeira! Incrível!

 Alberto Soares e eu!

Alberto Soares e eu!

Foi lá também, novamente por acaso, e insistência da Vivi em iniciar a conversa em português com todo mundo que ela via pela frente, e que insistiu para que entrássemos no museu, que encontramos o Alberto Soares, um chinês que falava português! Imagine! Fiquei maluco! Tirei foto, filmei, tomei notas… Valeu o dia! Eu não pude acreditar que havíamos encontrado o tal "Manoel Lee"! O Alberto é filho de mãe portuguesa e pai chinês, nascido e criado em Macau.
 

Templo Kum Lan (e cemitério)

Do museu descemos a rua principal com destino ao belo Jardim Lou Lim leoc. No meio do caminho está o Templo Kum lan, que infelizmente estava fechado. Logo ao lado porém, existe um cemitério que vale a pena dar uma olhada. Nada de mórbido, muito pelo contrário. É curioso ver a diferença dos túmulos mais tradicionalmente chineses para os portugueses, e observar os nomes mistos das famílias chinesas-portuguesas de várias gerações.
 

Jardim Lou Lim leoc

Vale a pena andar a esmo e dar a volta inteira por esse jardim, observando as interessantes construções de pedra e os vários velhinhos que vão ali para se exercitar, meditar e jogar xadrez chinês. O parque tem ainda um lago lindíssimo, cheio de peixes e tartaruguinhas que ficam sob as rochas tomando sol. Um jardim bem chinês, em meio a prédios bem portugueses.


Taipa

Depois de um super andada pelo centro e arredores, resolvemos aproveitar o final da tarde para conhecer Taipa, uma ilha ao Sul de Macau, que é conectada artificialmente a península. Taipa tem 2.5km e lá estão além do aeroporto internacional, e da Universidade de Macau, o estádio, e a maioria dos casinos.

O ônibus 33 que sai do centro nos nos levou até lá. Vale a pena descer perto da Casa Museu da Taipa (Taipa Houses Museum), a poucos minutos da charmosa Igreja da Nossa Senhora do Carmo (Our Lady of Carmel Church). Dali siga a Rua Direita Carlos Eugênio até a Rua dos Mercadores, onde existe uma praça muito simpática e vários outros barezinhos e restaurantes que convidam a uma parada para apreciar o ir e vir dos turistas e moradores.
 


Feira do Carmo (Antigo Mercado da Vila da Taipa)

O antigo Mercado da Taipa surgiu da necessidade de acompanhar o crescimento da Vila da Taipa e seu desenvolvimento econômico. De arquitetura mista, com um telhado de construção em estilo chinês, e colunas inspiradas na arquitetura greco-romana, no auge de sua construção era a única infraestrutura do gênero, construída para a comercialização de alimentos.


Casino Venetia

Nós não somos fãs de apostas, mas se tratando do maior casino do mundo, valia a pena conhecer. O Venetia é além de casino, um super hotel de luxo. As medidas são bizarras. Para começar o prédio é gigantesco (o maior prédio hoteleiro da Ásia), daqueles que de tão grande até perde-se a referência de tamanho. Dentro a gente se sente ainda menor, diante dos altíssimos tetos e amplos salões. São mais de 3000 suítes, espalhadas por 39 andares; só de área de jogatina são 51.000m2, com 3400 máquinas de jogos e 800 mesas de apostas!  O Venetia é uma cidade, com bancos, shoppings, e diversos restaurantes. Tudo é feito pra você não precisar sair dali. A iluminação garante total confusão do horário do “mundo real” lá fora, porque no Venetia é sempre dia, e toda hora é hora de jogo!

O que mais nos impressionou foram as gigantescas pinturas no teto, e todo o segundo andar, onde está o maior "canal artificial de Veneza", com gondoleiros tocando e cantando canções típicas do “corneto” enquanto conduzem as gôndolas pelo canal. A iluminação do andar dá a impressão de um eterno fim de tarde, e o formato côncavo do teto faz com que as nuvens impressionantemente reais pareçam se mexer conforme andamos pelo lugar! 

Dica: deixe a visita aos casinos por último e aproveite do serviço gratuito de transporte que eles oferecem para levar os visitantes de volta ao porto.
 

Povo, cultura, e atrações extras

Macau é confuso como um pastelzinho de nata recheado com frango xadrês. Seus habitantes consideram-se mais macauenses do que chineses, e muitos não consideram os "portugueses" nem macauenses, quanto menos chineses, apenas "brancos". As placas e arquitetura são portuguesas, mas o que se fala mesmo é o cantonês e o inglês. É uma mistura de tudo e nada ao mesmo tempo!

Um dia é pouco para conhecer a cidade, especialmente considerando que uma das grandes atrações é o panorama "espacial" oferecido pelas gigantescos prédios e casinos iluminados. Eu recomendaria passar ao menos 2 dias e uma noite em Macau, com direito a ver o anoitecer na grande Torre!

O ponto alto do dia foi simplesmente conhecer os habitantes de Macau, em sua maioria ultra receptivo e sorridentes, sempre nos cumprimentando pelas ruas e dispostos a sair do seu caminho para nos ajudar no nosso. No quesito receptividade, nem parecia a China. Nós definitivamente nos divertimos muito, um grande abraço grande ao Alberto Soares!

P.S O Alberto Soares trabalhava na recepção do Museu de Macau e adora receber visitantes em português!

Entre várias outras coisas que gostaríamos de ter tido tempo de visitar, vale mencionar: 

  • Igreja da Penha
  • Macau Fisherman's Warf
  • Torre de Macau
  • Cidade Velha de Taipa